Formação continuada de professores(as) indígenas
Núcleo coordenado e administrado pela UFCG, envolvendo professores e professoras indígenas Potiguara da Baía da Traição e Marcação – PB


Objetivo Geral
Promover a formação continuada dos professores Potiguara das escolas indígenas estaduais e municipais dos municípios de Baía da Traição e Marcação, no que diz respeito à educação básica – Ensino Fundamental, mais especificamente aos primeiros anos –, construindo, junto com os docentes Potiguara, recursos didáticos e pedagógicos segundo a organização comunitária, o bilinguismo, a interculturalidade e de acordo com as especificidades das práticas culturais ancestrais desse grupo étnico.
Visa-se possibilitar gestações conjuntas de subsídios à elaboração de currículos, metodologias e avaliações, conforme os processos de letramento, numeramento e saberes Potiguara, para, ao final, propiciarmos a produção de materiais didáticos impressos e digitais a serem utilizados no cotidiano escolar.

Construir, sintetizar e socializar as práticas desenvolvidas e consolidadas entre saberes indígenas, construção de estratégias e procedimentos para os usos simbólicos, políticos, culturais que a prática escolar supõe garantir no Ensino Fundamental das escolas indígenas Potiguara na Baia da Traição e Marcação.

Realizar formações para professores Potiguara, visando a capacitação nas áreas de letramento e numeramento de maneira a verticalizar no âmbito das demais disciplinas, objetivando o fortalecimento de metodologias interdisciplinares e específicas para escolas indígenas Potiguara.

Sistematizar os materiais coletados nas formações dos Saberes para publicação e distribuição de material didático impresso, online é áudio visual para as escolas Potiguara da Baia da Traição e Marcação.

Ação Saberes Indígenas na Escola (ASIE)
Criada em 2013 e coordenada no âmbito da CGPEI, a Ação Saberes Indígenas na Escola – ASIE integra o Eixo Pedagogias Diferenciadas e Uso das Línguas Indígenas do Programa Nacional dos Territórios Etnoeducacionais, instituído pela Portaria MEC nº 1.062, de 30 de outubro de 2013, e fomenta a formação continuada de professores indígenas que atuam na Educação Escolar Indígena. É desenvolvida em regime de colaboração com os estados, o Distrito Federal, os municípios e as Instituições de Ensino Superior (IES), de cada Território Etnoeducacional, e baseada nos princípios da especificidade, da organização comunitária, do multilinguismo e da interculturalidade.
A ASIE tem como objetivos específicos: oferecer recursos didáticos e pedagógicos que atendam às especificidades da organização comunitária, do multilinguismo e da interculturalidade que fundamentam os projetos educativos nas comunidades indígenas; oferecer subsídios à elaboração de currículos, definição de metodologias e processos de avaliação que atendam às especificidades dos processos de letramento, numeramento, conhecimentos dos povos indígenas, contemplando as dimensões da interculturalidade, do bilinguismo/multilinguismo e da pluralidade epistêmica; e fomentar pesquisas que resultem na elaboração de materiais didáticos e paradidáticos em diversas linguagens, bilíngues e monolíngues, conforme a situação sociolinguística e de acordo com as especificidades da Educação Escolar Indígena.
Em 2024, a Ação Saberes Indígenas na Escola ganhou uma nova roupagem na interface com o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada - CNCA. A minuta de Portaria da Ação Saberes Indígenas na Escola, que institui a Re-Co-SIE e a interface com o CNCA está em tramitação.

Núcleo UFCG
A Ação Saberes Indígenas na Escola – formação continuada de professores(as) indígenas Núcleo coordenado e administrado pela da UFCG, envolverá professores e professoras indígenas Potiguara da Baia da Traição e Marcação – PB. Sempre destacando as escutas e demandas dos professores Potiguara, no caminho do aprofundamento e a valorização dos saberes indígenas, como também a ampliação de práticas da educação intercultural, específico e bilingue através da produção de livros didáticos, como contributos para o fortalecimento da educação escolar indígena.

Equipe de execução da ASIE Núcleo UFCG

Juciene Ricarte
Coordenadora

Míriam Gomes
Coordenadora

Joana Damasceno
Coordenadora de Ação

Daniel Santana
Supervisor

Pedro Pereira
Professor Formador

Sueli Vieira
Orientadora

Ivson Antônio
Orientador

Joelma Felix
Professora Formadora

Gustavo Gomes
Orientador

Pedro Lobo
Professor Formador

Sônia Barbalho
Orientadora

Thierry Freire
Professor Formador

Carla Padilha
Orientadora
Povo potiguara e localização
O povo Potiguara na Paraíba está localizado no litoral norte do estado, em uma região que engloba os municípios de Baía da Traição, Marcação e Rio Tinto. Essa área, com cerca de 33 mil hectares, é dividida em três Terras Indígenas contíguas: Terra Indígena Potiguara, Terra Indígena Jacaré de São Domingos e Terra Indígena Potiguara de Monte-Mor.
O território Potiguara se estende entre os rios Camaratuba e Mamanguape, sendo um dos maiores do Nordeste brasileiro, com mais de 30 mil pessoas e 32 aldeias, de acordo com a Sesai . As aldeias Potiguara são equipadas com infraestrutura básica como escolas e postos de saúde, e muitas delas também possuem igrejas.
Além desses três municípios, comunidades Potiguara também podem ser encontradas em outras áreas, como as cidades de Mamanguape, João Pessoa, Cabedelo, Bayeux e Santa Rita, devido a processos migratórios.
Objetivos da Ação Saberes Indígenas, Núcleo UFCG
Objetivo Geral
Promover a formação continuada dos professores Potiguara das escolas indígenas estaduais e municipais do município da Baia da Traição e Marcação no que diz respeito a educação básica – Ensino Fundamental, mais especificamente os primeiros anos, construindo junto com os docentes Potiguara recursos didáticos e pedagógicos, segundo organização comunitária, bilinguismo, interculturalidade e de acordo com as especificidades das práticas culturais ancestrais desse grupo étnico. Possibilitando gestações conjuntas de subsídios à elaboração de currículos, metodologias e avaliação, conforme processos de letramento, numeramento e saberes. Potiguara para ao final propiciarmos as produções de materiais didáticos impressos e digitais para serem trabalhados no cotidiano escolar.

Objetivos Específicos
Construir, sintetizar e socializar as práticas desenvolvidas e consolidadas entre saberes indígenas, construção de estratégias e procedimentos para os usos simbólicos, políticos, culturais que a prática escolar supõe garantir no Ensino Fundamental das escolas indígenas Potiguara na Baia da Traição e Marcação.
Realizar formações para professores Potiguara, visando a capacitação nas áreas de letramento e numeramento de maneira a verticalizar no âmbito das demais disciplinas, objetivando o fortalecimento de metodologias interdisciplinares e específicas para escolas indígenas Potiguara.
Sistematizar os materiais coletados nas formações dos Saberes para publicação e distribuição de material didático impresso, online e áudio visual para as escolas Potiguara da Baia da Traição e Marcação.
Realizar reuniões para consolidação do material produzido, contendo o conhecimento adquirido, visando à alfabetização e os letramentos das crianças indígenas Potiguara.
Realizar Seminário de troca de saberes entre cursistas e debates sobre o andamento do projeto.
Sistematização das inovações pedagógicas e dos novos saberes em construção pelos docentes Potiguara cursistas.
Eixos que integram a Ação Saberes Indígenas
Considerando a necessidade de uma ação que integre as diversas experiências de comunidades escolares para implementação da política dos territórios etnoeducacionais, principalmente no que se refere à especificidade dos saberes das comunidades indígenas, é de fundamental importância colocar no centro dessa ação as práticas de letramento/numeramento, alfabetização científica, arte e conhecimentos históricos e geográficos vivenciadas por professores e estudantes nas escolas Potiguara, para refletir sobre elas, documentá-las e produzir materiais didáticos específicos e bilingues digitais e impressos de apoio à prática pedagógica nas escolas estaduais e municipais das aldeias na Baia da Traição e Marcação.
As oficinas que chamamos de “círculos de palavras” promovem espaços de reflexões e de aprofundamentos de estudos e pesquisas, (re)criação de práticas pedagógicas, teóricas e metodológicas e de produções de materiais didáticos, específicos e diferenciados, contribuindo para a interculturalidade, interdisciplinaridade e integração de experiências diversas nas escolas indígenas Potiguara, participantes da ASIE, resultando na efetivação da política dos Territórios Etnoeducacional, nas práticas de letramento/numeramento, alfabetização científica, arte e conhecimentos históricos, geográficos e da ciências da natureza, relacionados as práticas socioculturais, ao bem viver ancestral e ao sagrado, potencializando a educação escolar indígena do povo Potiguara. Desta forma desenvolvemos atividades de formação continuada em quatro eixos a saber:

I - Letramento e numeramento em língua Tupí
Os Potiguara atualmente são monolinguísticos, mas eram falantes do Tupi Antigo, no entanto, deixaram de ser falantes há mais de 250 anos, tornando-se um grupo indígena monolíngue em língua portuguesa. Todavia, nas últimas décadas as escolas indígenas Potiguara, vem ofertando o ensino da língua Tupi, não da língua Tupi, da qual se originou o Tupi-Austral, mas da língua Tupi como referência à língua do Tupi Antigo. Alguns professores Potiguara fizeram o curso de Tupi Clássico, ministrado pelo professor da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo de Almeida Navarro. A partir deste estudo, adotaram essa nomenclatura em referência a sua língua ancestral e passaram a usá-la para nomear a disciplina língua indígena implantada no currículo da escola Potiguara.
Objetivo Geral
Promover formação continuada com professores indígenas Potiguara enfatizando o processo de letramento e numeramento na língua Tupi, como primeira língua a serem aprendidas na escola.
Objetivos Específicos
Realizar sessões de estudos acerca do bilinguismo, alfabetização, letramento e numeramento em línguas indígenas;
Compreender a organização das línguas indígenas a fim de relacionar com o processo de letramento desenvolvido nas escolas indígenas;
Subsidiar a elaboração do planejamento para as práticas de alfabetização, letramento e numeramento em línguas indígenas.
Fomentar pesquisas que promovam múltiplas oportunidades de aprendizagem e de desenvolvimento das crianças indígenas.
Desenvolver estratégias didáticas essenciais para se conseguir aprendizagens escolar.
Elaborar materiais didático-pedagógicos em línguas indígenas, tais como: jogos alfabetos, cartilhas didáticas, recursos para a prática de contação de histórias, e outros
II - Letramento e numeramento em língua portuguesa
Objetivo Geral
Promover formação continuada para professores indígenas enfatizando o processo de letramento e numeramento em língua portuguesa como primeira língua nos anos iniciais do ensino fundamental.
Objetivos Específicos
Realizar sessões de estudos sobre a Teoria Histórico-cultural e sua contribuição para o processo de ensino e de aprendizagem da leitura, escrita e do numeramento;
Compreender os métodos de alfabetização problematizando-os com as práticas pedagógicas adotadas nas escolas indígenas
Elaborar Planejamentos de alfabetização, letramento e numeramento em língua portuguesa aprimorando as ações da escola indígena.
Fomentar o uso de diferentes linguagens e gêneros textuais na escola indígena
Elaborar materiais didático-pedagógicos diversificados e específicos tais como: jogos, livros didáticos sobre contação de histórias cosmológicas, entre outros.
III – Letramento, natureza e saberes indígenas
Objetivo Geral
Desenvolver estratégias e recursos que integrem o processo de ensino e da aprendizagem escolar do numeramento e letramento, potencializando os saberes indígenas com práticas de comunicação, escrita e leitura em consonância com a realidade linguística do grupo, especialmente no ensino e tradução do material didático em Tupí.
Objetivos Específicos
Investigar o uso da matemática em contextos cotidianos indígenas fomentando estratégias e recursos pedagógicos de numeramento e letramento em sala de aula.
Levantar e discutir as práticas de numeramento e letramento utilizadas nas escolas indígenas no Paraná.
Estimular o uso crítico da matemática aperfeiçoando a capacidade analítica nas diferentes situações do cotidiano.
IV - Conhecimentos e artes verbais indígenas
Objetivo Geral:
Desenvolver subsídios pedagógicos e lúdicos sobre as artes verbais indígenas, visando a elaboração de estratégias didático-pedagógicas que envolvam as dimensões estética, cultural e social na educação escolar indígena.
Objetivos Específicos:
Organizar Grupos de Estudos sobre temas e referenciais que destaquem a importância das artes verbais indígenas, patrimônio cultural e cosmologias para a aprendizagem e desenvolvimento da criança durante a educação escolar.
Registrar os conhecimentos ancestrais sistematizando-os por meio das artes verbais e de produção de materiais didáticos
Enfatizar a função do professor indígena no processo de ensino das artes verbais enquanto conhecedor das ancestralidades da cultura indígena.













